Elogio de Judas Macabeu ( 2 Sm 1,17-27 ; 14,4-15 ) — 1*Sucedeu-lhe o seu filho Judas, chamado Macabeu.2Auxiliaram-no todos os seus irmãos e todos os que se tinham unido ao seu pai e combatiam alegremente pela defesa de Israel. 3*Ele estendeu a fama do seu povo, vestiu a couraça como um gigante, cingiu as suas armas de guerra e travou combates, protegendo o seu exército com a sua espada. 4*Parecia um leão nas suas campanhas, um leãozinho que ruge sobre a presa. 5*Perseguia os traidores nas suas guaridas e lançava às chamas os opressores do seu povo. 6*Os maus recuavam diante dele, os iníquos estremeciam, e a libertação se firmava por suas mãos. 7*Deu que fazer a muitos reis, e alegrou Jacob em suas façanhas. A sua memória será sempre bendita. 8*Percorreu as cidades de Judá, expulsou delas os malfeitores, e afastou de Israel o castigo de Deus. 9*A sua fama encheu a terra, e reuniu os que estavam a ponto de perecer. Primeiras vitórias de Judas — 10*Aconteceu que Apolónio convocou os gentios e, da Samaria, partiu com um grande exército para pelejar contra Israel.11Judas soube-o e saiu-lhe ao encontro, venceu-o e matou-o; muitos tombaram no campo de batalha e os restantes fugiram.12Apoderou-se dos seus despojos e da espada de Apolónio, da qual se serviu sempre nos combates.13Seron, general do exército sírio, soube que Judas juntara muitos soldados fiéis, que combatiam ao seu lado.14E disse: «Tornar-me-ei célebre e cobrir-me-ei de glória no reino, vencendo Judas e os seus correligionários, que desprezam as ordens reais.»15E preparou-se para a guerra. Juntou-se a ele um poderoso exército de ímpios, para se vingar dos filhos de Israel.16Avançaram até à subida de Bet-Horon. Judas, acompanhado de poucos homens, saiu-lhes ao encontro.17Mal viram o exército que vinha contra eles, os companheiros disseram a Judas: «Como poderemos enfrentar tamanho exército, se somos tão poucos e nos sentimos debilitados pelo jejum de hoje?»18Mas Judas respondeu-lhes: «É fácil entregar uma multidão nas mãos de poucos; para o Deus do Céu não há diferença entre salvar com uma multidão ou com um punhado de homens,19porque a vitória no combate não depende do número, mas da força que vem do Céu.20Esta gente vem contra nós com impiedade e orgulho, para nos aniquilar juntamente com as nossas mulheres e os nossos filhos, e nos saquear.21Nós, porém, lutamos pelas nossas vidas e pelas nossas leis.22O próprio Deus esmagá-los-á diante dos nossos olhos. Não tenhais medo deles.» 23E logo que acabou de falar, cheio de decisão, Judas acometeu os inimigos e derrotou completamente Seron e o seu exército.24Judas perseguiu-os pela descida de Bet-Horon até à planície. Morreram oitocentos homens, e os restantes fugiram para a terra dos filisteus.25Com isto, o medo de Judas e dos seus irmãos espalhou-se por todos os povos vizinhos.26A sua fama chegou aos ouvidos do rei, e em todas as nações se falava das batalhas de Judas. Antíoco IV prepara novos combates — 27O rei Antíoco, ao ter notícia destes acontecimentos, encolerizou-se e reuniu todas as forças do reino, formando um exército poderosíssimo.28Abriu os seus tesouros e deu ao exército o soldo de um ano, ordenando que estivessem prontos para qualquer eventualidade.29Mas, ao ver que os seus tesouros tinham ficado vazios e que os tributos do país eram poucos, pelas dissensões e calamidades que ele provocara sobre a terra, suprimindo as leis em vigor desde tempos antigos,30receou não poder mais gastar nem dar, como antes fazia, com liberalidade e munificência superior a todos os reis, seus predecessores. 31Profundamente consternado, resolveu ir à Pérsia cobrar os tributos dessas regiões e juntar muito dinheiro.32Deixou Lísias, homem ilustre e de linhagem real, à frente dos negócios do reino, desde o Eufrates às fronteiras do Egito,33com o encargo de velar, até à sua volta, pelo seu filho Antíoco.34Pôs à sua disposição metade do exército do reino e os elefantes e deu-lhe instruções sobre a execução dos seus planos, especialmente os referentes aos habitantes da Judeia e de Jerusalém. 35*Devia enviar contra eles um exército, para destruir e aniquilar o poderio de Israel e os restos de Jerusalém, até apagar dali a sua memória,36e instalar os estrangeiros em todos os seus confins, distribuindo-lhes a terra, por sorteio.37O rei levou consigo a outra metade do exército. Partiu de Antioquia, capital do seu reino, pelo ano cento e quarenta e sete, passou o Eufrates e atravessou as regiões montanhosas. Górgias e Nicanor ( 2 Mac 8,8-15 ) — 38*Lísias escolheu Ptolomeu, filho de Dorímenes, Nicanor e Górgias, valorosos generais e amigos do rei,39e enviou com eles quarenta mil infantes e sete mil cavaleiros, para invadir e devastar o país de Judá, conforme a ordem do rei.40Puseram-se a caminho com todas as suas tropas e acamparam na planície perto de Emaús. 41Quando os mercadores da região ouviram a notícia da sua chegada, tomaram consigo muita prata, ouro e servos, e dirigiram-se ao acampamento, para comprar os filhos de Israel como escravos. Forças procedentes da Síria e de terras estrangeiras vieram juntar-se a eles.42Judas e os seus irmãos viram que a situação era grave e que as forças inimigas acampavam dentro das suas fronteiras. Sabedores das ordens dadas pelo rei para destruir e exterminar o povo,43disseram uns aos outros: «Reanimemos o nosso povo abatido e lutemos em defesa da nossa pátria e do nosso santuário.»44Convocaram-nos, então, a todos, a fim de estarem prontos para a luta, rezar e implorar piedade e misericórdia de Deus. 45*Jerusalém estava despovoada como um deserto, nenhum dos seus filhos nela entrava ou saía. O santuário estava profanado, estrangeiros ocupavam a cidadela, convertida em morada de pagãos. A alegria desaparecera de Jacob, a flauta e a harpa tinham emudecido. Ajuntamento dos judeus em Mispá ( 2 Mac 8,1-23 ) — 46Os israelitas juntaram-se, pois, e dirigiram-se a Mispá, em frente de Jerusalém, porque ali, em Mispá, tiveram, outrora, um lugar de oração.47Jejuaram naquele dia, vestiram-se de saco, cobriram a cabeça com cinza e rasgaram as vestes.48*Abriram o livro da Lei, para lerem nele as coisas acerca das quais os gentios costumavam consultar as imagens dos seus falsos deuses.49*Trouxeram as vestes sacerdotais, as primícias e os dízimos e fizeram vir os nazireus que tinham cumprido o tempo do seu voto.50E, levantando o seu clamor até ao céu, disseram: «Que havemos de fazer destas pessoas, e para onde as levaremos?
51O teu santuário está profanado e manchado, os teus sacerdotes estão de luto e humilhados.52As nações coligaram-se para te aniquilar. Tu sabes o que elas tramam contra nós.53Como resistir diante deles, se Tu, Senhor, não vieres em nosso auxílio?»54Então eles tocaram as trombetas e fizeram grande alarido.55*Depois disto, Judas nomeou comandantes de mil, de cem, de cinquenta e de dez homens;56e disse aos que construíram casas, aos que se tinham casado, aos que tinham plantado uma vinha e aos tímidos que voltassem cada um para a sua casa, conforme a prescrição da lei.57Os israelitas levantaram, em seguida, os seus arraiais, e vieram acampar ao sul de Emaús. 58Judas disse-lhes: «Preparai-vos e portai-vos como valentes, prontos a lutar amanhã cedo contra estas nações, coligadas para nos arruinar e destruir o nosso santuário.59É melhor, para nós, morrer no combate, do que ver o extermínio do nosso povo e do nosso santuário.60Que se faça a vontade de Deus!»