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CARTA AOS EFÉSIOS

O tom geral desta Carta não está de acordo com a autoria de Paulo: é muito impessoal, faltando o estilo e a lin­gua­gem pró­prios do Após­tolo. Mais que uma Carta, parece tratar-se de uma espé­cie de homi­lia que utiliza o modelo epistolar. As únicas referências indiretas a Paulo (3,13; 5,18-22) não chegam para lhe atribuirmos este escrito. Deve, pois, tratar-se de um documento pertencente a um autor dos círculos paulinos, que se di­rige aos pagãos convertidos ao cristianismo, fazendo-o em nome de Paulo (1,1-2).

DESTINATÁRIO   Não está claro se foi escrita aos cristãos de Éfeso – grande cidade da Ásia Menor evangelizada por Paulo, na sua terceira viagem mis­sio­nária (At 19) – ou aos de Laodiceia (Cl 4,16).

O tom impessoal da Carta, a ausência de companheiros do Apóstolo (não se refere nenhum) leva os estudiosos a inclinarem-se pela hipótese de uma Carta-circular dirigida às igrejas paulinas da Ásia Menor. Além disso, o nome do destinatário (a cidade de Éfeso) falta nos códices mais importantes.

DIVISÃO E CONTEÚDO   A Carta aos Efésios está organizada em duas partes:

Apresentação: 1,1-2.

I. A Igreja e o Evangelho (1,3-3,21):

A graça de Deus: 1,3-14;

Cristo, Senhor do mundo e da Igreja: 1,15-23;

A obra de Cristo: 2,1-22;

Lugar de Paulo no plano de Deus: 3,1-21.

II. Exortação aos batizados (4,1-6,20):

Viver na unidade: 4,1-16;

Instruções várias: 4,17-5,20;

Cristo e a Igreja. Consequências: 5,21-6,9;

Combater inimigos espirituais: 6,10-20.

Saudação final: 6,21-24.

TEOLOGIA   Por esta época, nas cristandades asiáticas começavam a pro­pa­gar-se doutrinas judaico­-gnósticas sobre as forças espirituais, os anjos, colocando-os acima de Cristo. Com isso, procurava-se exaltar a Lei de Moi­sés, pois, segundo as tradições rabínicas, ela fora promulgada por anjos. Se os anjos, que a promulgaram, eram superiores a Cristo, também a Lei o seria, em relação ao Evangelho. Contra esta visão das coisas, Paulo expõe o “Mistério de Cristo” na sua grandeza cósmica, enraizado no “Mistério da Igreja”.

É na Igreja que Deus revela hoje o seu plano salvador realizado em Cristo e por Cristo. A Igreja de Cristo é universal, nova Criação e Corpo em cres­cimento. É nela que judeus e pagãos se encontram na unidade. A Igreja é ainda o novo povo de Deus, a esposa de Cristo (5,21-32), por quem Ele deu a vida.