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24
Início do cerco de Jerusalém. A panela ao fogo (11;  22 )
1No décimo mês do nono ano, no dia dez, foi-me dirigida a palavra do Senhor, nestes termos: 2«Filho de homem, escreve a data deste dia; o rei da Babilónia lançou-se contra Jerusalém, hoje mesmo. 3Apresenta uma parábola à casa da gente rebelde e diz-lhe: Assim fala o Senhor Deus:
‘Põe ao lume a marmita

e mete água dentro dela.

4Acrescenta-lhe pedaços de carne,

toda a espécie de bons pedaços,

coxa e espádua;

enche-a com os melhores ossos.

5Toma as melhores cabeças do rebanho;

amontoa lenha debaixo da marmita;

faz ferver os pedaços de carne

e também os ossos que ela contém.’

6Porque assim fala o Senhor Deus : Ai da cidade sanguinária, ai da marmita enferrujada, cuja ferrugem não pode ser tirada! Tira os pedaços um a um, sem tirar à sorte. 7Porque o seu sangue está dentro dela; e espalhou-o sobre a rocha nua; não o espalhou no solo, de modo que a terra o cobrisse. 8Para aumentar a minha ira, a fim de me vingar, Eu lancei o seu sangue sobre o rochedo nu, sem o cobrir.
9Por isso, diz o Senhor Deus : Ai da cidade sanguinária! Também Eu vou fazer uma grande fogueira. 10Junta lenha, atiça o fogo, coze a carne, prepara o molho e que os ossos sejam queimados. 11Põe-na então vazia, a aquecer, em cima das brasas, para que o bronze seja queimado, a imundície fundida e a ferrugem consumida.
12Mas os esforços são em vão, a ferrugem não desaparece com o fogo. 13Porque tu estavas impura, por causa da tua imundície, Eu queria purificar-te; mas, apesar disso, tu não ficaste purificada da tua impureza. Eis porque não serás purificada até que tenha saciado o meu furor contra ti. 14Eu, o Senhor, falei. Vai cumprir-se a minha palavra. Agirei sem hesitação, sem piedade nem remorso. Julgar-te-ão segundo o teu comportamento e segundo as tuas ações» – oráculo do Senhor Deus.
Simbolismo da morte da mulher do profeta ( Jr 16 )
15Foi-me dirigida a palavra do Senhor, nestes termos: 16«Filho de homem, vou tirar-te de repente aquela que é a alegria dos teus olhos; mas tu não deverás lamentar-te, nem chorar, nem derramar lágrimas. 17Suspira em silêncio, não guardes o luto habitual pelos defuntos; conserva o turbante na cabeça, calça as sandálias, não cubras o rosto e não comas pão ordinário.»
18Falei ao povo na parte da manhã. À tarde, minha mulher morria; e eu, na manhã do dia seguinte, fiz como me tinha sido ordenado.
19E o povo disse-me: «Não queres dizer-nos o que significa para nós aquilo que fizeste?» 20E eu respondi-lhes: «A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 21Diz à casa de Israel: ‘Assim fala o Senhor Deus : Eis que vou profanar o meu santuário, o orgulho da vossa força, as delícias dos vossos olhos e a paixão das vossas vidas. Os vossos filhos e filhas que deixastes cairão ao fio da espada. 22Então, fareis o que Eu fiz. Não cobrireis o vosso rosto e não comereis pão ordinário. 23Com o turbante na cabeça e as sandálias calçadas, não vos lamentareis e não chorareis; mas consumir-vos-eis nas vossas iniquidades e gemereis uns para os outros. 24Ezequiel será para vós um sinal: fareis como ele fez, quando isto acontecer. Então, reconhecereis que Eu sou o Senhor Deus.
25Tu, porém, filho de homem, no dia em que Eu tirar o que faz a sua força, a sua glória e a sua alegria, as delícias dos seus olhos e o desejo das suas vidas, os seus filhos e filhas, 26nesse dia, um fugitivo virá ter contigo para o anunciar aos teus ouvidos. 27Naquele dia, abrir-se-á a tua boca para o fugitivo; falarás e nunca mais ficarás mudo. Serás para eles um sinal e, então, reconhecerão que Eu sou o Senhor.’»