Contra Tiro ( Am 1,9-10 ) — 1*No décimo primeiro ano, no primeiro dia do mês, foi-me dirigida a palavra do Senhor, nestes termos: 2*«Filho de homem, Tiro disse contra Jerusalém: ‘Ah! Ah! ela está arrombada, a porta dos povos! Ela volta-se agora para mim, a sua riqueza está destruída.’3*Por isso, diz o Senhor Deus : Tiro, eis que Eu venho contra ti! Vou suscitar contra ti muitos povos, como o mar faz encrespar as suas vagas.4Eles destruirão os muros de Tiro e demolirão as suas torres; varrerei dela o pó e dela farei um rochedo nu.5Tiro será, no meio do mar, um lugar onde se estendem as redes, porque Eu falei – oráculo do Senhor Deus. Ela será a presa das nações.6*Cairão ao fio da espada as cidades, suas filhas, que estão na terra firme. Então, reconhecerão que Eu sou o Senhor.» 7*Porque assim fala o Senhor Deus : «Eis que Eu envio contra Tiro, vindo do Norte, Nabucodonosor, rei da Babilónia, rei dos reis, com cavalos, carros, cavaleiros e uma multidão de tropas.8Ele matará ao fio da espada as tuas filhas que estão em terra firme. Contra ti levantará trincheiras, elevará plataformas e construirá bastiões.9Dirigirá contra os teus muros o ímpeto dos seus aríetes; com os seus engenhos demolirá as tuas torres.10Será tão grande o número dos seus cavalos que a sua poeira te cobrirá. Ao ruído dos seus cavaleiros e dos seus carros de guerra, tremerão as tuas muralhas; quando ele atravessar as tuas portas, como se penetra numa cidade conquistada.11*Com as patas dos cavalos calcará todas as tuas ruas; matará o teu povo ao fio da espada; deitará por terra as tuas estelas colossais.12As tuas riquezas e mercadorias serão pilhadas; as tuas muralhas demolidas, as tuas casas luxuosas arrasadas; lançarão ao mar as tuas pedras, a tua madeira e o teu pó.13Farei cessar o som dos teus cânticos; não se escutarão mais as tuas cítaras.14De ti farei um rochedo nu, um lugar onde se estendem as redes. Não serás reedificada, porque Eu, o Senhor, falei» – oráculo do Senhor Deus. 15Assim fala o Senhor Deus a Tiro: «Ao estrondo da tua queda, quando estiverem gemendo os teus feridos, quando a mortandade grassar no meio de ti, não estremecerão as ilhas?16E todos os príncipes do mar descerão dos tronos; deporão os mantos e despirão as vestes bordadas. Revestir-se-ão de espanto, sentar-se-ão por terra, tremerão sem cessar e ficarão consternados.17Então, recitarão sobre ti uma lamentação e dirão: ‘Como desapareceste dos mares, tu, cidade famosa, tu que eras poderosa sobre o mar, tu e os teus habitantes, que espalhavam terror por todo o continente.’ 18*Agora, as ilhas estremecerão, no dia da tua queda, e as ilhas do mar serão aterrorizadas com o teu destino.» 19Porque assim fala o Senhor Deus : «Quando fizer de ti uma cidade deserta como as cidades que não são habitadas; quando fizer subir sobre ti o Abismo, para que as suas águas profundas te cubram,20*então, precipitar-te-ei com os que descem à cova, para junto dos povos do passado. Far-te-ei habitar nas profundezas da terra, como uma ruína do passado, ao lado dos que desceram à cova, para que não sejas mais habitada e não voltes a reinar em glória na terra dos vivos.21De ti farei objeto de terror; e não existirás mais. Hão de procurar-te, mas não te encontrarão» – oráculo do Senhor Deus.