Melquisedec ( Gn 14 ; Sl 110,4 ) — 1*Este Melquisedec, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, foi ao encontro de Abraão quando ele voltava da derrota infligida aos reis e abençoou-o;2Abraão concedeu-lhe o dízimo de todas as coisas; o seu nome significa, em primeiro lugar, rei de justiça, e depois, «rei de Salém», que quer dizer «rei de paz».3*Sem pai, sem mãe, sem genealogia, sem princípio de dias nem fim de vida, assemelha-se ao Filho de Deus e permanece sacerdote para sempre. 4Considerai, portanto, como é grande aquele a quem o patriarca Abraão deu o dízimo dos despojos.5*Na verdade, também os filhos de Levi que recebem o sacerdócio, têm ordem, segundo a Lei, para cobrar o dízimo ao povo, isto é, aos seus irmãos, embora eles sejam também descendentes de Abraão.6Mas aquele, que não era da sua descendência, cobrou o dízimo de Abraão e abençoou o detentor das promessas.7Ora, sem dúvida, é o inferior que é abençoado pelo superior.8Num caso, os que cobram o dízimo são homens mortais, mas no outro, é alguém que se afirma estar vivo.9E, por assim dizer, Levi, que recebe o dízimo, pagava o dízimo, na pessoa de Abraão,10pois ele ainda estava nas entranhas do seu antepassado quando Melquisedec veio ao seu encontro. Sacerdote segundo a ordem de Melquisedec — 11*Ora, se a perfeição tivesse sido realizada pelo sacerdócio levítico – sob ele o povo recebeu a Lei – que necessidade havia de que surgisse um outro sacerdote segundo a ordem de Melquisedec, e não segundo a ordem de Aarão?12De facto, quando muda o sacerdócio, dá-se também, necessariamente, a mudança da Lei.13Aquele de quem isto se diz pertence a outra tribo, da qual nenhum membro fez o serviço do altar.14*É claro que Nosso Senhor procede de Judá, tribo acerca da qual Moisés nada disse a propósito dos sacerdotes.15E isto é ainda mais evidente, quando aparece outro sacerdote à semelhança de Melquisedec,16instituído, não segundo o mandamento de uma lei humana, mas segundo o poder de uma vida indestrutível.17*Na verdade, dele se testemunha: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec. 18Assim, dá-se, por um lado, a abolição do mandamento precedente, devido à sua fraqueza e inutilidade19*– pois a Lei nada levou à perfeição – e, por outro, a introdução de uma esperança melhor, mediante a qual nos aproximamos de Deus. 20E isso não foi feito sem juramento. Os outros tornavam-se sacerdotes sem juramento,21*mas este com um juramento daquele que lhe disse: O Senhor jurou e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre. 22*Por isso mesmo, Jesus se tornou o garante de uma aliança superior.23Além disso, aqueles sacerdotes eram numerosos porque a morte os impedia de continuar,24mas este, porque permanece eternamente, possui um sacerdócio que não acaba.25*Sendo assim, Ele pode salvar de um modo definitivo, os que por meio dele se aproximam de Deus, pois Ele está vivo para sempre, a fim de interceder por eles. 26*Tal é, com efeito, o Sumo Sacerdote que nos convinha: santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e elevado acima dos céus,27que não tem necessidade, como os outros sacerdotes, de oferecer vítimas todos os dias, primeiro pelos seus próprios pecados e depois pelos do povo, porque Ele o fez uma vez por todas, oferecendo-se a si mesmo.28A Lei, com efeito, constitui sumos sacerdotes a homens sujeitos à debilidade; mas a palavra do juramento, posterior à Lei, constitui o Filho perfeito para sempre.