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III. SEGUNDO DEBATE

(15,1-21,34)
15
Elifaz: maldade e destino do homem

1​Então, Elifaz de Teman tomou a palavra e disse:

2​«Acaso responde o sábio com palavras ocas,

enchendo o seu ventre com o vento leste,

3​e defendendo-se com palavras vãs

e razões que não convencem?

4​Destruíste, até, a piedade,

e acabaste com a oração diante de Deus.

5​A tua iniquidade inspira as tuas palavras,

e imitas a linguagem dos impostores.

6​É a tua boca que te condena e não eu;

os teus lábios testemunham contra ti.

7​Foste, acaso, o primeiro homem que nasceu

e vieste ao mundo antes das colinas?

8​Acaso foste admitido ao conselho de Deus,

e te apropriaste da sabedoria?

9​Que sabes tu que nós ignoremos,

que entendes tu que não entendamos?

10​Também temos velhos de cabelos brancos,

muito mais avançados em dias que teus pais.

11​Menosprezas as consolações de Deus,

e as doces palavras que te são dirigidas?

12​Aonde te arrasta o coração,

e porque cintilam os teus olhos?

13​É contra Deus que te encolerizas,

proferindo tais discursos!

14​Quem é o homem para se julgar puro,

e o filho da mulher para se considerar justo?

15*​Se nem nos seus santos Deus tem inteira confiança,

e os próprios céus não são puros aos seus olhos,

16​quanto mais abominável e corrompido não será

o homem que bebe iniquidade como água!

17*​Ouve-me, pois quero instruir-te:

vou contar-te o que vi,

18​aquilo que os sábios ensinaram,

que os seus pais não lhes ocultaram,

19​aos quais, somente, foi dada a terra;

e nenhum estranho se intrometeu no meio deles.

20​A vida do ímpio é um tormento contínuo,

e poucos são os anos concedidos ao opressor.

21​Ressoam aos seus ouvidos ruídos aterradores;

em tempo de paz, o bandido assalta-o.

22​Não espera subtrair-se às trevas,

e sente-se destinado ao fio da espada.

23​É deitado, como pasto, aos abutres,

e sabe que está fixado o dia da escuridão.

24​A tribulação e a angústia acometem-no

como a um rei que vai para o combate.

25​Porque levantou a mão contra Deus

e desafiou o Todo-Poderoso,

26​correndo contra Ele, de cabeça erguida,

protegido com elmo e escudo.

27​Porque cobriu o seu rosto de gordura,

e amontoou banhas sobre os rins.

28​Ocupara cidades destruídas

casas que estavam abandonadas,

prestes a transformarem-se em ruínas.

29​Não enriquecerá; os seus bens não durarão,

e não lançará raízes na terra.

30​Não escapará às trevas;

o fogo queimará os seus ramos,

e será arrastado pelo sopro da sua boca.

31​Não confiasse na ilusão que o desencaminha!

Pois a desilusão será a sua paga.

32​Os seus ramos secarão antes do tempo,

e os seus sarmentos não reverdecerão.

33​Como a vinha perde os seus frutos, ainda verdes,

e, como a oliveira, deixará cair a sua flor.

34​O conluio dos ímpios é estéril,

e o fogo devora a casa do homem corrupto.

35​Quem concebe o mal gera a iniquidade

e nutre, no seu seio, o desengano.»