Antigo Testamento

Pentateuco Livros Históricos Livros Sapienciais Livros Proféticos

Novo Testamento

Evangelhos e Atos Cartas de São Paulo Carta aos Hebreus Cartas Católicas Apocalipse Sobre a Biblia
30
Contraste da situação atual

1«Agora, riem-se de mim

os mais jovens do que eu,

aqueles cujos pais eu desdenharia contar

entre os cães do meu rebanho.

2Que me interessa a força dos seus braços?

Desapareceu completamente o seu vigor.

3Esgotados pela miséria e pela fome,

roem as raízes do deserto,

à noite, na terra árida e desolada.

4Colhem malvas entre os arbustos,

e a raiz das giestas é o seu alimento.

5Expulsos da sociedade dos homens,

gritavam atrás deles como se fossem ladrões.

6Moravam em barrancos escarpados,

em cavernas de terras e rochedos,

7rosnando entre os matagais

e amontoando-se sob os espinheiros.

8Filhos de gente infame, de gente sem nome,

foram expulsos do país!

9Agora sou o tema das suas canções,

o objeto dos seus escárnios;

10afastam-se de mim com horror,

e até se atrevem a cuspir-me no rosto,

11porque Deus abriu a sua aljava e alvejou-me

e todos perderam o respeito diante de mim.

12À minha direita levanta-se o populacho,

que desorienta os meus passos

e prepara o caminho para me perder.

13Destroem os meus caminhos,

para me arruinar, armam-me ciladas,

e ninguém me presta ajuda contra eles.

14Penetram por uma grande brecha

e irrompem por entre os escombros.

15O terror invade-me.

A minha prosperidade foi varrida como o vento

e, qual nuvem, passou a minha felicidade.

16Agora, a minha alma perde a força,

os dias da aflição apoderam-se de mim.

17De noite, a dor trespassa-me os ossos,

e os males que me roem não têm descanso.

18Com violência agarra a minha roupa,

aperta-me como a gola da minha túnica.

19Atirou comigo para a lama,

e fiquei semelhante ao pó e à cinza.



20Chamo por ti, e Tu não me respondes;

insisto e não fazes caso.

21Tornas-te cruel comigo,

persegues-me com toda a força da tua mão.

22Levantas-me ao alto e fazes-me cavalgar com o vento

e, depois, arrastas-me na tempestade.

23Bem sei que me levas à morte,

ao lugar onde se reúnem todos os mortais.

24Mas poderá quem vai cair não estender a mão,

e aquele que perece, não pedir socorro?

25Não chorei com os oprimidos?

Não teve a minha alma compaixão dos pobres?

26Quando esperava felicidade, veio a desgraça,

esperava a luz e vieram as trevas.

27As minhas entranhas fervilham, sem descanso,

assaltaram-me dias de aflição.

28Caminho na tristeza, sem consolação;

levanto-me e dou gritos no meio da turba.

29Tornei-me irmão dos chacais

e companheiro das avestruzes.

30A minha pele enegreceu e cai,

e os meus ossos são consumidos pela febre.

31A minha cítara converteu-se em pranto,

e a minha flauta em lamentações.»