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VIII. INTERVENÇÃO DE DEUS

(38,1-42,6)
38
Mistérios do universo

1Então, do seio da tempestade,

o Senhor respondeu a Job e disse:

2«Quem é esse que obscurece os meus desígnios

com palavras insensatas?

3Cinge os rins como um homem;

vou interrogar-te e tu responder-me-ás.

4Onde estavas, quando lancei os fundamentos da terra?

Diz-mo, se a tua inteligência dá para tanto.

5Sabes quem determinou as suas dimensões?

Quem estendeu a régua sobre ela?

6Sabes em que repousam as suas bases,

ou quem colocou nela a pedra angular,

7entre as aclamações dos astros da manhã

e o aplauso de todos os filhos de Deus?

8Quem pôs diques ao mar,

quando, impetuoso, saía do seio materno,

9quando Eu lhe dava por manto as nuvens,

e o enfaixava com névoas tenebrosas?

10Encerrei-o dentro dos limites que tracei,

e pus-lhe portas e ferrolhos,

11dizendo: ‘Chegarás até aqui; não mais além;

aqui se quebrará o orgulho das tuas ondas.’

12Alguma vez na tua vida deste ordens à manhã

e indicaste o seu lugar à aurora,

13para que ela alcançasse as extremidades da terra

e expulsasse dela os malfeitores?

14Modela-se a terra como o barro sob o sinete

e tinge-se como um vestido.

15Então, aos maus é recusada a sua luz,

e o braço dos soberbos é quebrado.

16Desceste até às fontes do mar

e passeaste pelas profundidades do abismo?

17Abriram-se-te, porventura, as portas da morte?

Viste as portas da morada tenebrosa?

18Consideraste a extensão da terra?

Fala, se sabes tudo isso!

19De que lado habita a luz?

Qual é o lugar das trevas,

20para que as conduzas ao seu domínio

e lhes mostres as veredas da sua morada?

21Deverias sabê-lo, pois já tinhas nascido

e era já grande o número dos teus dias!

22Penetraste nos depósitos da neve

e visitaste os armazéns do granizo,

23que Eu reservo para o tempo de angústia,

para os dias de luta e de batalha?

24Qual é a maneira como se divide o relâmpago,

e por onde se expande o vento leste pela terra?

25Quem abre o caminho aos aguaceiros

e as rotas ao trovão,

26para que chova sobre a terra

e sobre o deserto desabitado,

27para fecundar regiões vastas e desoladas,

a fim de nelas fazer germinar a erva verdejante?

28Terá a chuva um pai?

Quem gera as gotas de orvalho?

29De que seio sai o gelo?

E quem produz a geada do ar,

30quando as águas endurecem como pedra,

e se congela a superfície do abismo?

31És tu que atas os laços das Plêiades,

ou que desatas as correntes de Orion?

32És tu quem manda sair, a seu tempo, as constelações

e conduz a Ursa Maior com os seus filhinhos?

33Conheces as leis do céu?

Acaso regulas as suas influências sobre a terra?

34Levantas a tua voz até às nuvens,

para que te cubram de águas abundantes?

35A tua ordem faz surgir os relâmpagos,

dizendo-te eles: ‘Eis-nos aqui’?

36Quem deu sabedoria ao íbis,

ou quem deu inteligência ao galo?

37Quem pode contar as nuvens com exatidão

e inclinar os odres do céu,

38quando a terra se torna dura e compacta,

e os torrões se aglomeram?

39És tu quem caça a presa para a leoa

e sacias a fome dos leõezinhos,

40quando estão deitados nos seus covis,

ou se escondem nas suas cavernas?

41Quem prepara ao corvo o seu alimento,

quando os seus filhinhos gritam a Deus

e vagueiam em busca de comida?»