Multiplicação dos pães e dos peixes ( Mt 14,13-21 ; 15,32-38 ; Mc 6,34-44 ; 8,1-9 ; Lc 9,10-17 ) — 1*Depois disto, Jesus foi para a outra margem do lago da Galileia, ou de Tiberíades.2Seguia-o uma grande multidão, porque presenciavam os sinais miraculosos que realizava em favor dos doentes.3Jesus subiu ao monte e sentou-se ali com os seus discípulos. 4*Estava a aproximar-se a Páscoa, a festa dos judeus.5Erguendo o olhar e reparando que uma grande multidão viera ter com Ele, Jesus disse então a Filipe: «Onde havemos de comprar pão para esta gente comer?»6Dizia isto para o pôr à prova, pois Ele bem sabia o que ia fazer. Filipe respondeu-lhe:
7«Duzentos denários de pão não chegam para cada um comer um bocadinho.»8Disse-lhe um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro:9«Há aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas que é isso para tanta gente?»10Jesus disse: «Mandai sentar as pessoas.» Ora, havia muita erva no local. Os homens sentaram-se, pois, em número de uns cinco mil.
11Então, Jesus tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os pelos que estavam sentados, tal como os peixes, e eles comeram quanto quiseram.12Quando se saciaram, disse aos seus discípulos: «Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca».13Recolheram-nos, então, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada que sobejaram aos que tinham estado a comer. 14*Aquela gente, ao ver o sinal milagroso que Jesus tinha feito, dizia: «Este é realmente o Profeta que devia vir ao mundo!»15*Por isso, Jesus, sabendo que viriam arrebatá-lo para o fazerem rei, retirou-se de novo, sozinho, para o monte. Jesus caminha sobre as águas ( Mt 14,22-33 ; Mc 6,45-52 ) — 16Ao cair da tarde, os seus discípulos desceram até ao Lago17e, subindo para um barco, foram atravessando o Lago em direção a Cafarnaúm.18Já tinha escurecido e Jesus ainda não fora ter com eles. Soprando uma forte ventania, o lago começou a agitar-se. 19*Depois de terem remado mais ou menos uma légua, avistaram Jesus que se aproximava do barco, caminhando sobre o Lago, e tiveram medo.20*Mas Ele disse-lhes: «Sou Eu, não tenhais medo!»21Quiseram recebê-lo logo no barco, e o barco chegou imediatamente à terra para onde iam. Discurso do Pão do Céu — 22*No dia seguinte, a multidão que ficara do outro lado do Lago reparou que ali não estivera mais do que um barco, e que Jesus não tinha entrado no barco com os seus discípulos, mas que estes tinham partido sozinhos.23Entretanto, chegaram outros barcos de Tiberíades até ao lugar onde tinham comido o pão, depois de o Senhor ter dado graças.24Quando viu que nem Jesus nem os seus discípulos estavam ali, a multidão subiu para os barcos e foi para Cafarnaúm à procura de Jesus.25Ao encontrá-lo no outro lado do Lago, perguntaram-lhe: «Rabi, quando chegaste cá?»26Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: vós procurais-me, não por terdes visto sinais miraculosos, mas porque comestes dos pães e vos saciastes.
27*Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará; pois a este é que Deus, o Pai, confirma com o seu selo.»28*Disseram-lhe, então: «Que havemos nós de fazer para realizar as obras de Deus?»29Jesus respondeu-lhes: «A obra de Deus é esta: crer naquele que Ele enviou.»30Eles replicaram: «Que sinal realizas Tu, então, para nós vermos e crermos em ti? Que obra realizas Tu?31*Os nossos pais comeram o maná no deserto, conforme está escrito: Ele deu-lhes a comer o pão vindo do Céu.» 32E Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Não foi Moisés que vos deu o pão do Céu, mas é o meu Pai quem vos dá o verdadeiro pão do Céu,33*pois o pão de Deus é aquele que desce do Céu e dá a vida ao mundo.»34Disseram-lhe então: «Senhor, dá-nos sempre desse pão!»35Respondeu-lhes Jesus: «Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome e quem crê em mim jamais terá sede.
36Mas já vo-lo disse: vós vistes-me e não credes.37Todos os que o Pai me dá virão a mim; e quem vier a mim Eu não o rejeitarei,38porque desci do Céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.39E a vontade daquele que me enviou é esta: que Eu não perca nenhum daqueles que Ele me deu, mas o ressuscite no último dia.40Esta é, pois, a vontade do meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia.» 41Os judeus puseram-se, então, a murmurar contra Ele por ter dito: ‘Eu sou o pão que desceu do Céu’;42*e diziam: «Não é Ele Jesus, o filho de José, de quem nós conhecemos o pai e a mãe? Como se atreve a dizer agora: ‘Eu desci do Céu’?» 43Jesus disse-lhes, em resposta: «Não murmureis entre vós.44Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não atrair; e Eu hei de ressuscitá-lo no último dia.45*Está escrito nos profetas: E todos serão ensinados por Deus. Todo aquele que escutou o ensinamento que vem do Pai e o entendeu vem a mim.46*Não é que alguém tenha visto o Pai, a não ser aquele que tem a sua origem em Deus: esse é que viu o Pai.47Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê tem a vida eterna.48*Eu sou o pão da vida.49Os vossos pais comeram o maná no deserto, mas morreram.50Este é o pão que desce do Céu; se alguém comer dele, não morrerá.51*Eu sou o pão vivo, o que desceu do Céu: se alguém comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que Eu hei de dar pela vida do mundo é a minha carne.» 52Então, os judeus, exaltados, puseram-se a discutir entre si, dizendo: «Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?!»53Disse-lhes Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós.54Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei de ressuscitá-lo no último dia,55porque a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida.56Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele.57Assim como o Pai que me enviou vive e Eu vivo pelo Pai, também quem de verdade me come viverá por mim.58Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os antepassados comeram, pois eles morreram; quem come mesmo deste pão viverá eternamente.» 59Isto foi o que Ele disse em Cafarnaúm, ao ensinar na sinagoga. Reação dos discípulos — 60*Depois de o ouvirem, muitos dos seus discípulos disseram: «Que palavras insuportáveis! Quem pode entender isto?»61Mas Jesus, sabendo no seu íntimo que os seus discípulos murmuravam a respeito disto, disse-lhes: «Isto escandaliza-vos?
62E se virdes o Filho do Homem subir para onde estava antes?63*É o Espírito quem dá a vida; a carne não serve de nada: as palavras que vos disse são espírito e são vida.64*Mas há alguns de vós que não creem.» De facto, Jesus sabia, desde o princípio, quem eram os que não criam e também quem era aquele que o havia de entregar.65*E dizia: «Por isso é que Eu vos declarei que ninguém pode vir a mim, se isso não lhe for concedido pelo Pai.» 66A partir daí, muitos dos seus discípulos voltaram para trás e já não andavam com Ele.67Então, Jesus disse aos Doze: «Também vós quereis ir embora?»68Respondeu-lhe Simão Pedro: «A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna!69*Por isso nós cremos e sabemos que Tu é que és o Santo de Deus.» 70Disse-lhes Jesus: «Não vos escolhi Eu a vós, os Doze? Contudo, um de vós é um diabo.»71Referia-se a Judas, filho de Simão Iscariotes, pois esse é que viria a entregá-lo, sendo embora um dos Doze.