Jesus e o divórcio ( Dt 24,1-4 ; Mt 5,31-32 ; 19,1-9 ; Lc 16,18 ) — 1Saindo dali, foi para a região da Judeia, para além do Jordão. As multidões agruparam-se outra vez à volta dele, e outra vez as ensinava, como era seu costume.2*Aproximaram-se uns fariseus e perguntaram-lhe, para o experimentar, se era lícito ao marido divorciar-se da mulher.3Ele respondeu-lhes: «Que vos ordenou Moisés?»4Disseram: «Moisés mandou escrever um documento de repúdio e divorciar-se dela.»5Jesus retorquiu: «Devido à dureza do vosso coração é que ele vos deixou esse preceito.6*Mas, desde o princípio da criação, Deus fê-los homem e mulher.7Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher,8e serão os dois um só. Portanto, já não são dois, mas um só.9Pois bem, o que Deus uniu não o separe o homem.» 10De regresso a casa, de novo os discípulos o interrogaram acerca disto.11Jesus disse: «Quem se divorciar da sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira.12*E se a mulher se divorciar do seu marido e casar com outro, comete adultério.» Jesus e os pequeninos ( Mt 19,13-15 ; Lc 18,15-17 ) — 13Apresentaram-lhe uns pequeninos para que Ele os tocasse; mas os discípulos repreenderam os que os tinham trazido.14*Vendo isto, Jesus indignou-se e disse-lhes: «Deixai vir a mim os pequeninos e não os afasteis, porque o Reino de Deus pertence aos que são como eles.15Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como um pequenino, não entrará nele.» 16Depois, tomou-os nos braços e abençoou-os, impondo-lhes as mãos. O homem rico ( Mt 19,16-22 ; Lc 10,25-28 ; 18,18-23 ) — 17Quando se punha a caminho, alguém correu para Ele e ajoelhou-se, perguntando: «Bom Mestre, que devo fazer para alcançar a vida eterna?»18Jesus disse: «Porque me chamas bom? Ninguém é bom senão um só: Deus.19*Sabes os mandamentos: Não mates, não cometas adultério, não roubes, não levantes falso testemunho, não defraudes, honra teu pai e tua mãe.» 20Ele respondeu: «Mestre, tenho cumprido tudo isso desde a minha juventude.»21Jesus, fitando nele o olhar, sentiu afeição por ele e disse: «Falta-te apenas uma coisa: vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu; depois, vem e segue-me.»22Mas, ao ouvir tais palavras, ficou de semblante anuviado e retirou-se pesaroso, pois tinha muitos bens. Perigo das riquezas ( Mt 19,23-26 ; Lc 18,24-27 ) — 23*Olhando em volta, Jesus disse aos discípulos: «Quão difícil é entrarem no Reino de Deus os que têm riquezas!»24Os discípulos ficaram espantados com as suas palavras. Mas Jesus prosseguiu: «Filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus!25É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus.» 26Eles admiraram-se ainda mais e diziam uns aos outros: «Quem pode, então, salvar-se?»27Fitando neles o olhar, Jesus disse-lhes: «Aos homens é impossível, mas a Deus não; pois a Deus tudo é possível.» Recompensa do desprendimento ( Mt 19,27-30 ; Lc 18,28-30 ) — 28*Pedro começou a dizer-lhe: «Aqui estamos nós que deixámos tudo e te seguimos.» 29Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: quem deixar casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou campos por minha causa e por causa do Evangelho,30receberá cem vezes mais agora, no tempo presente, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, juntamente com perseguições, e, no tempo futuro, a vida eterna.31*Muitos dos que são primeiros serão últimos, e muitos dos que são últimos serão primeiros.» Terceiro anúncio da Paixão ( Mt 20,17-19 ; Lc 18,31-34 ) — 32*Iam a caminho, subindo para Jerusalém, e Jesus seguia à frente deles. Estavam espantados, e os que seguiam estavam cheios de medo. Tomando de novo os Doze consigo, começou a dizer-lhes o que lhe ia acontecer:
33«Eis que subimos a Jerusalém e o Filho do Homem vai ser entregue aos sumos sacerdotes e aos doutores da Lei, e eles vão condená-lo à morte e entregá-lo aos gentios.34E hão de escarnecê-lo, cuspir sobre Ele, açoitá-lo e matá-lo. Mas, três dias depois, ressuscitará.» Poder e serviço ( Mt 20,20-28 ; Lc 22,24-27 ; Jo 13,1-17 ) — 35*Tiago e João, filhos de Zebedeu, aproximaram-se dele e disseram: «Mestre, queremos que nos faças o que te pedimos.»36Disse-lhes: «Que quereis que vos faça?»37Eles disseram: «Concede-nos que, na tua glória, nos sentemos um à tua direita e outro à tua esquerda.»38*Jesus respondeu: «Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu bebo e receber o batismo com que Eu sou batizado?»39Eles disseram: «Podemos, sim.» Jesus disse-lhes: «Bebereis o cálice que Eu bebo e sereis batizados com o batismo com que Eu sou batizado;40mas o sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não pertence a mim concedê-lo: é daqueles para quem está reservado.» 41Os outros dez, tendo ouvido isto, começaram a indignar-se contra Tiago e João.42Jesus chamou-os e disse-lhes: «Sabeis como aqueles que são considerados governantes das nações fazem sentir a sua autoridade sobre elas, e como os grandes exercem o seu poder.43*Não deve ser assim entre vós. Quem quiser ser grande entre vós, faça-se vosso servo44e quem quiser ser o primeiro entre vós, faça-se o servo de todos.45*Pois também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por todos.» Cura do cego de Jericó ( 8,22-26 ; Mt 9,27-31 ; 20,29-34 ; Lc 18,35-43 ; Jo 9,1-41 ) — 46*Chegaram a Jericó. Quando ia a sair de Jericó com os seus discípulos e uma grande multidão, um mendigo cego, Bartimeu, o filho de Timeu, estava sentado à beira do caminho.47E ouvindo dizer que se tratava de Jesus de Nazaré, começou a gritar e a dizer: «Jesus, filho de David, tem misericórdia de mim!»48Muitos repreendiam-no para o fazer calar, mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem misericórdia de mim!» 49Jesus parou e disse: «Chamai-o.» Chamaram o cego, dizendo-lhe: «Coragem, levanta-te que Ele chama-te.»50E ele, atirando fora a capa, deu um salto e veio ter com Jesus.51Jesus perguntou-lhe: «Que queres que te faça?» «Mestre, que eu veja!» – respondeu o cego.52*Jesus disse-lhe: «Vai, a tua fé te salvou!» E logo ele recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho.