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102
ORAÇÃO DO AFLITO
(74; 79 )

1Oração de um aflito que na sua miséria expõe a sua angústia

diante do Senhor.


2 Senhor, escuta a minha oração

e chegue junto de ti o meu clamor!

3Não me ocultes o teu rosto no dia da aflição.

Inclina para mim o teu ouvido;

no dia em que te invocar, responde-me sem demora!


4Porque os meus dias se desvanecem como fumo

e os meus ossos ardem como um braseiro.

5Como a erva cortada, o meu coração está ressequido;

até me esqueço de comer o meu pão.

6À força de tanto gemer,

os ossos colaram-se à minha pele.

7Tornei-me semelhante ao pelicano no deserto;

sou como a coruja nas ruínas abandonadas.

8Não consigo dormir e suspiro;

sou como um pássaro solitário sobre um telhado.

9Os meus inimigos insultam-me todo o dia,

e com furor proferem imprecações contra mim.

10Em vez de pão, como cinza

e misturo a minha bebida com lágrimas,

11por causa da tua indignação e do teu furor;

fizeste-me subir, para depois me rejeitares.

12Os meus dias são como a sombra que declina

e eu vou secando como a erva.


13Tu, porém, Senhor, permaneces para sempre

e o teu nome será lembrado por todas as gerações.

14Levanta-te, tem piedade de Sião;

já é tempo de lhe perdoares.

15Os teus servos amam as suas pedras,

sentem pena das suas ruínas.


16Os povos honrarão, Senhor, o teu nome,

e todos os reis da terra, a tua majestade.

17Quando o Senhor reconstruir Sião

e manifestar a sua glória,

18há de voltar-se para a oração do indigente

e não desprezará as suas súplicas.

19Escrevam-se estas coisas para as gerações futuras,

e os que hão de nascer louvarão o Senhor.

20O Senhor observa do alto do seu santuário;

lá do céu, Ele olha para a terra,

21para escutar os gemidos dos cativos

e livrar os condenados à morte.

22Em Sião será anunciado o nome do Senhor,

e em Jerusalém, a sua glória,

23quando os povos de todas as nações se reunirem

para servirem o Senhor.


24Ele deixou-me sem forças no caminho

e abreviou os meus dias.

25«Meu Deus, eu te peço:

não me leves a meio dos meus dias!»

Os teus anos duram por todas as gerações.

26Tu fundaste a terra desde o princípio

e os céus são obra das tuas mãos.

27Eles deixarão de existir, mas Tu permanecerás;

tal como um vestido, eles vão-se gastando;

como um vestido que se muda, assim eles desaparecem.

28Mas Tu permaneces sempre o mesmo,

os teus anos não têm fim.

29Os filhos dos teus servos hão de viver tranquilos

e a sua descendência perdurará na tua presença.