ORAÇÃO DO AFLITO (74; 79 ) 1*Oração de um aflito que na sua miséria expõe a sua angústia diante do Senhor. 2*Senhor, escuta a minha oração e chegue junto de ti o meu clamor! 3*Não me ocultes o teu rosto no dia da aflição. Inclina para mim o teu ouvido; no dia em que te invocar, responde-me sem demora! 4*Porque os meus dias se desvanecem como fumo e os meus ossos ardem como um braseiro. 5*Como a erva cortada, o meu coração está ressequido; até me esqueço de comer o meu pão. 6*À força de tanto gemer, os ossos colaram-se à minha pele. 7*Tornei-me semelhante ao pelicano no deserto; sou como a coruja nas ruínas abandonadas. 8*Não consigo dormir e suspiro; sou como um pássaro solitário sobre um telhado. 9*Os meus inimigos insultam-me todo o dia, e com furor proferem imprecações contra mim. 10*Em vez de pão, como cinza e misturo a minha bebida com lágrimas, 11*por causa da tua indignação e do teu furor; fizeste-me subir, para depois me rejeitares. 12*Os meus dias são como a sombra que declina e eu vou secando como a erva. 13*Tu, porém, Senhor, permaneces para sempre e o teu nome será lembrado por todas as gerações. 14*Levanta-te, tem piedade de Sião; já é tempo de lhe perdoares. 15*Os teus servos amam as suas pedras, sentem pena das suas ruínas. 16*Os povos honrarão, Senhor, o teu nome, e todos os reis da terra, a tua majestade. 17*Quando o Senhor reconstruir Sião e manifestar a sua glória, 18*há de voltar-se para a oração do indigente e não desprezará as suas súplicas. 19*Escrevam-se estas coisas para as gerações futuras, e os que hão de nascer louvarão o Senhor. 20*O Senhor observa do alto do seu santuário; lá do céu, Ele olha para a terra, 21*para escutar os gemidos dos cativos e livrar os condenados à morte. 22*Em Sião será anunciado o nome do Senhor, e em Jerusalém, a sua glória, 23*quando os povos de todas as nações se reunirem para servirem o Senhor. 24*Ele deixou-me sem forças no caminho e abreviou os meus dias. 25*«Meu Deus, eu te peço: não me leves a meio dos meus dias!» Os teus anos duram por todas as gerações. 26*Tu fundaste a terra desde o princípio e os céus são obra das tuas mãos. 27*Eles deixarão de existir, mas Tu permanecerás; tal como um vestido, eles vão-se gastando; como um vestido que se muda, assim eles desaparecem. 28*Mas Tu permaneces sempre o mesmo, os teus anos não têm fim. 29*Os filhos dos teus servos hão de viver tranquilos e a sua descendência perdurará na tua presença.