ELEGIA NACIONAL (74; 79 ; 102 ) 1*Ao diretor do coro. Poema dos filhos de Coré. 2*Ó Deus, com os nossos ouvidos ouvimos, os nossos pais nos contaram os prodígios que fizeste nos seus dias, em tempos passados. 3*Com a tua mão expulsaste povos e estabeleceste o teu povo na terra que fora de outros; castigaste as outras nações e fizeste-os prosperar a eles. 4*Não foi com a espada que conquistaram a terra, não foi o seu braço que lhes trouxe a vitória; mas foi a tua direita, a força do teu braço, foi a luz da tua presença, porque lhes tinhas amor. 5*Ó Deus, Tu és o meu rei! Tu deste a vitória a Jacob. 6*Contigo vencemos os nossos inimigos, no teu nome esmagámos os nossos opressores. 7*Não confio no meu arco e a minha espada não me salvará. 8*Tu nos livraste dos nossos inimigos e confundiste os que nos odiavam. 9*A toda a hora te louvaremos, ó Deus, e celebraremos o teu nome para sempre. 10*Contudo, rejeitaste-nos e cobriste-nos de vergonha; já não acompanhas os nossos exércitos. 11*Fizeste-nos recuar diante dos inimigos e os que nos odeiam saquearam-nos à vontade. 12*Entregaste-nos como ovelhas para o matadouro, dispersaste-nos entre os pagãos. 13*Vendeste o teu povo por um preço irrisório e pouco lucraste com essa venda. 14*Fizeste de nós o opróbrio dos nossos vizinhos, a irrisão e o desprezo dos que nos rodeiam. 15*Fizeste de nós objeto de escárnio para os pagãos, os povos abanam a cabeça, troçando de nós. 16*A minha ignomínia está sempre diante de mim e a vergonha cobre-me o rosto, 17*ao ouvir os insultos e as afrontas, à vista dos inimigos e opressores. 18*Tudo isto nos aconteceu, sem nos termos esquecido de ti, sem termos traído a tua aliança, 19*sem o nosso coração te abandonar, nem os nossos pés se afastarem do teu caminho. 20*Contudo, Tu nos esmagaste na região das feras e nos envolveste em profundas trevas. 21*Se tivéssemos esquecido o nome do nosso Deus e estendido as mãos para um deus estranho, 22*porventura não teria Deus dado por isso? Pois Ele conhece os segredos do nosso coração. 23*Por causa de ti, estamos todos os dias expostos à morte; tratam-nos como ovelhas para o matadouro. 24*Desperta, Senhor, porque dormes? Desperta e não nos rejeites para sempre! 25*Porque escondes a tua face e te esqueces da nossa miséria e tribulação? 26*A nossa alma está prostrada no pó, e o nosso corpo, colado à terra. 27*Levanta-te! Vem em nosso auxílio; salva-nos, pela tua bondade!