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AS LIÇÕES DA HISTÓRIA
(105; 106 )

1Poema. De Asaf.


Escuta, meu povo, os meus ensinamentos;

presta atenção às minhas palavras.

2Vou abrir a minha boca em parábolas

e revelar os enigmas de outros tempos.

3O que ouvimos e aprendemos

e os nossos antepassados nos transmitiram,

4não o ocultaremos aos seus descendentes;

tudo contaremos às gerações vindouras:

as glórias do Senhor e o seu poder,

e as maravilhas que Ele fez.


5Ele estabeleceu um preceito em Jacob,

instituiu uma lei em Israel.

E ordenou aos nossos pais

que a ensinassem aos seus filhos,

6para que as gerações futuras a conhecessem

e os filhos que haviam de nascer

a contassem aos seus próprios filhos;

7para que pusessem em Deus a sua confiança

e não esquecessem as suas obras,

mas obedecessem aos seus mandamentos.

8Para que não fossem como os seus pais,

uma geração rebelde e desobediente,

uma raça de coração inconstante

e de espírito infiel ao seu Deus.

9Os filhos de Efraim, archeiros equipados,

puseram-se em fuga no dia do combate.

10Não guardaram a aliança de Deus,

recusaram-se a cumprir a sua lei;

11esqueceram-se das suas obras,

das maravilhas que Ele lhes mostrou.

12Diante de seus pais, Deus fez maravilhas,

na terra do Egito, nos campos de Soan.

13Abriu o mar para os fazer passar,

conteve as águas como um dique.


14Conduziu-os, de dia, com uma nuvem,

e, de noite, com o seu clarão de fogo.

15Fendeu os rochedos no deserto

e deu-lhes a beber águas abundantes.

16Deus fez brotar rios das pedras,

fez correr águas caudalosas.

17Mas eles continuaram a pecar,

revoltando-se contra o Altíssimo no deserto.

18Provocaram a Deus em seus corações,

reclamando manjares, segundo os seus apetites.

19Murmuraram contra Ele, dizendo:

«Será Deus capaz de nos preparar a mesa no deserto?

20Ele feriu a rocha e logo brotaram as águas

e correram torrentes abundantes;

mas, poderá também dar pão

e preparar carne para o seu povo?»


21O Senhor ouviu e indignou-se,

ateou-se nele um fogo contra Jacob

e a sua ira cresceu contra Israel,

22porque não tiveram fé em Deus,

nem confiaram no seu auxílio.

23Deus ordenou às nuvens

e abriu as portas do céu.

24Fez chover o maná para eles comerem

e deu-lhes o pão do céu.

25Comeram todos o pão dos fortes;

enviou-lhes comida em abundância.

26Fez soprar dos céus o vento leste

e, com o seu poder, fez vir o vento sul.


27Fez chover do céu carne como grãos de poeira,

e aves tão numerosas como as areias do mar.

28Fê-las cair no meio do acampamento,

ao redor das suas tendas.

29Comeram até se saciarem:

e assim Deus satisfez os seus desejos.

30Ainda não tinham o seu apetite saciado,

ainda a comida estava na sua boca,

31quando a ira de Deus caiu sobre eles:

semeou a morte entre os mais fortes

e abateu os jovens de Israel.


32Apesar de tudo isto, persistiram no pecado,

não acreditaram nas suas maravilhas.

33Por isso, Deus extinguiu os seus dias como um sopro,

e os seus anos, como uma ilusão.

34Quando os castigava, eles procuravam-no,

convertiam-se e voltavam-se para Deus.

35Recordavam-se então que Deus era o seu protetor,

que o Altíssimo era o seu libertador.

36Mas logo o enganavam com a boca

e lhe mentiam com a língua.

37Os seus corações não eram leais com Ele,

nem fiéis à sua aliança.

38Mas Deus, que é misericordioso,

perdoava-lhes os pecados e não os destruía.

Muitas vezes conteve a sua ira,

e não deixou que o seu furor se avivasse.

39Lembrou-se de que eles eram humanos,

um sopro que passa e não volta mais!


40Quantas vezes o provocaram no deserto

e o contristaram na estepe!

41Voltaram constantemente a pôr Deus à prova,

a ofender o Santo de Israel.

42Esqueceram a obra das suas mãos,

no dia em que os libertou da opressão,

43quando no Egito realizou os seus prodígios

e as suas maravilhas nas planícies de Soan;

44quando converteu em sangue os seus rios e canais,

para que os egípcios não pudessem beber.

45Mandou-lhes moscas venenosas, que os devoravam,

e rãs que os destruíam.

46Entregou as suas colheitas aos insetos

e o fruto do seu esforço aos gafanhotos.

47Destruiu as suas vinhas com a saraiva

e os seus sicómoros com a geada.

48Feriu os seus gados com granizo

e os seus rebanhos com os raios.

49Descarregou contra eles a sua ira,

a indignação, o furor e a aflição,

como uma legião de mensageiros da desgraça.

50Deu livre curso à sua ira; não os livrou da morte!

Entregou as suas vidas à peste!

51Feriu os primogénitos do Egito,

as primícias da sua raça, nas tendas de Cam.


52Fez sair o seu povo como um rebanho,

como manada os conduziu pelo deserto.

53Guiou-os com segurança e não tiveram medo,

enquanto afundava no mar os seus inimigos.

54Introduziu-os na sua terra santa,

na montanha que a sua direita conquistou.

55Diante deles expulsou as nações,

distribuiu entre eles aquela terra como herança

e instalou nas suas tendas as tribos de Israel.


56Mas eles puseram à prova e ofenderam o Altíssimo

e não observaram os seus preceitos.

57Transviaram-se e apostataram como seus pais,

desviaram-se como a seta de um arco frouxo.

58Irritaram-no nos lugares altos,

provocaram os seus ciúmes com o culto dos ídolos.

59Deus ouviu isto e indignou-se,

e repudiou Israel com veemência.

60Abandonou o santuário de Silo,

a tenda onde morava entre os homens.

61Entregou ao cativeiro a sua fortaleza

e o seu esplendor na mão dos inimigos.

62Entregou o seu povo à espada,

irritou-se contra a sua herança.

63Os seus jovens foram devorados pelo fogo,

e as suas virgens ficaram por casar.

64Os seus sacerdotes foram passados à espada,

e as suas viúvas não choraram os maridos.


65Mas o Senhor despertou, como que estremunhado,

qual guerreiro vencido pelo vinho.

66E feriu os seus inimigos pelas costas;

infligiu-lhes eterna humilhação.

67Assim rejeitou as tendas de José

e não escolheu a tribo de Efraim;

68escolheu antes a tribo de Judá

e o monte de Sião, seu preferido.

69Construiu o seu santuário, alto como o céu

e firme para sempre, como a terra.

70Escolheu o seu servo David,

tomando-o do aprisco das ovelhas.

71Retirou-o de andar atrás dos rebanhos,

para que apascentasse a Jacob, seu povo,

e a Israel, sua herança.

72David apascentou-os com um coração reto

e conduziu-os com mão prudente.