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1
1Oráculo revelado ao profeta Habacuc.

I. DIÁLOGO ENTRE O PROFETA E DEUS

(1,2-2,4)Primeira queixa: por que triunfam os ímpios
( Is 21,1-10 )

2Até quando, Senhor, pedirei socorro,

sem que me escutes?

Até quando clamarei: «Violência!»,

sem que me salves?

3Porque me fazes ver a iniquidade

e contemplar a desgraça?

Diante de mim só vejo opressão e violência,

nada mais do que discórdias e contendas.

4Por isso a lei perde a sua força

e o direito desaparece definitivamente;

porque o ímpio cerca o justo

e, por isso, o direito sai falseado.

Resposta divina: os caldeus, flagelo de Deus

5«Vede as nações e contemplai,

admirai-vos, ficai pasmados!

Pois vou realizar uma obra em vossos dias,

que não acreditaríeis, se vos fosse contada.

6Eis que vou suscitar os caldeus,

aquele povo feroz e impetuoso,

que se espalha pela superfície da terra,

para se apoderar de habitações que não são suas.

7Ele é terrível e temível,

dele mesmo procedem o seu direito e a sua grandeza.

8Os seus cavalos são mais velozes do que os leopardos,

mais atilados do que os lobos durante a noite.

Os seus cavaleiros precipitam-se,

vêm de longe e voam

como a águia que se lança sobre a presa.

9Todos se entregam à violência

com a face ardente, como o vento de leste,

juntam prisioneiros como areia.

10Este povo zomba dos reis,

faz troça dos príncipes;

ri-se de todas as fortalezas,

pois levanta plataformas e toma-as.

11Então eles mudam de rumo como o vento

e apenas reconhecem como deus a sua própria força.»

Segunda queixa: exageros dos caldeus

12Não és Tu, Senhor, desde o princípio,

o meu Deus e o meu santo?

Nós não morreremos.

Tu estabeleceste, Senhor, os caldeus para exercerem a justiça,

como uma rocha, Tu os constituíste para castigar.

13Os teus olhos são demasiado puros para ver o mal,

não podes contemplar a opressão.

Porque contemplas, em silêncio, os traidores,

quando devoram os que são mais justos do que eles?

14Tratas os homens como peixes do mar,

como répteis que não têm dono.

15Eles pescam-nos a todos no anzol,

arrastam-nos com a sua rede,

recolhem-nos em seu cesto

e depois alegram-se e exultam.

16Por isso, oferecem sacrifícios às suas artes de pesca,

e incenso à sua rede,

porque, graças a elas, recolhem gordas porções

e suculentos manjares.

17Continuarão eles a esvaziar a sua rede,

massacrando povos sem piedade?