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2
Infidelidade de Israel ( Is 59 ; Os 2 )
1A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 2«Vai e grita aos ouvidos de Jerusalém, dizendo: Assim fala o Senhor:
‘Recordo-me da tua fidelidade no tempo da tua juventude,

dos amores do tempo do teu noivado,

quando me seguias no deserto,

na terra em que não se semeia.

3Israel era, então, propriedade sagrada do Senhor,

primícias da sua colheita.

Todos os que ousavam comer dela, pagavam,

e sobrevinha-lhes a desgraça’ – oráculo do Senhor.

4Escutai a palavra do Senhor, casa de Jacob

e todas as famílias da casa de Israel.

5Assim fala o Senhor:

‘Que injustiça encontraram em mim os vossos pais

para me abandonarem,

indo atrás da nulidade dos ídolos?

Eles próprios se tornaram nulidade.’

6Não se interrogaram:

‘Onde está o Senhor, que nos fez subir do Egito,

que nos conduziu através do deserto,

terra de desolação e abismos,

terra de aridez e de escuridão,

terra por onde ninguém passa

e onde ninguém habita?’

7Introduziu-vos numa terra fértil,

para comerdes os seus saborosos frutos.

Mas, tendo entrado, profanastes a minha terra

e fizestes abominável a minha herança.

8Os sacerdotes não se interrogaram:

«Onde está o Senhor

Os doutores da Lei não me reconheceram,

os pastores revoltaram-se contra mim,

e os profetas profetizaram em nome de Baal

e seguiram deuses inúteis.

9Por isso, entro hoje em juízo contra vós

e contra os filhos dos vossos filhos

– oráculo do Senhor.

10Passai, portanto, às ilhas dos Kitim e vede;

enviai gente a Quedar e informai-vos bem

e vede se lá aconteceu algo de semelhante.

11Acaso troca uma nação os seus deuses?

E, no entanto, aqueles não são deuses.

Mas o meu povo trocou a sua glória

por aquilo que não vale.

12Pasmai, ó céus, acerca disto!

Tremei de espanto e de horror!

– Oráculo do Senhor.

13Porque o meu povo cometeu um duplo crime:

abandonou-me, a mim,

nascente de águas vivas,

e construiu cisternas para si,

cisternas rotas,

que não podem reter as águas.»

Israel abandonou o Senhor

14«Acaso Israel é um escravo nascido na própria casa?

Por que razão se tornou uma presa?

15Contra ele rugiram os leões enfurecidos

e reduziram a sua terra a um deserto;

deixaram as suas cidades incendiadas

e sem habitantes.

16Até os habitantes de Mênfis e de Taapanés

te raparam a cabeça.

17Não te aconteceu tudo isto

porque abandonaste o Senhor, teu Deus,

quando te guiava pelo caminho?

18E agora, de que te vale correres para o Egito,

para beber água do Nilo?

E de que te vale correres para a Assíria,

para beber água do Eufrates?

19Sirvam-te de castigo as tuas perversidades,

e de punição as tuas infidelidades.

Portanto, aprende e vê

quão funesto e amargo é o resultado

de teres abandonado o Senhor, teu Deus,

e teres perdido o meu temor»

– oráculo do Senhor Deus do universo.

Israel, esposa infiel

20Desde há muito, quebraste o teu jugo,

rompeste as tuas cadeias

e disseste: «Não servirei.»

E sobre todas as colinas elevadas,

e sob todas as árvores verdejantes

te reclinaste e te prostituíste.

21E Eu te plantei como vinha escolhida,

planta de boa qualidade.

Como degeneraste

em sarmento bastardo,

ó videira estranha?

22Ainda que te laves com lixívia

e empregues muito sabão,

as tuas culpas estarão sempre diante de mim

– oráculo do Senhor deus.

23Como podes dizer:

«Não me profanei,

não andei atrás de Baal!»

Vê teu rasto no vale,

reconhece o que fizeste.

És como dromedária leviana que corre sem rumo;

24jumenta selvagem acostumada ao deserto,

que aspira o vento no calor da paixão.

Quem a deterá nos seus ardores?

Os que a buscam não se afadigarão;

facilmente a encontrarão no tempo do cio.

25Cuidado para que o teu pé não se descalce

e a tua garganta se não resseque.

Mas tu respondeste-me:

«Não vale a pena!

Pois estou enamorado dos estrangeiros

e quero segui-los.»

26Tal como o ladrão fica surpreendido,

assim fica confundida a casa de Israel

com seus reis, príncipes, sacerdotes e profetas.

27Eles dizem a um lenho: «Meu pai és tu»,

e a uma pedra: «Tu me geraste.»

Voltaram-me as costas e não a face.

Mas, no tempo da angústia, dizem:

«Levanta-te e salva-nos.»

28E onde estão os deuses que fabricaste para ti próprio?

Levantem-se, se te podem salvar

no tempo da tua desgraça;

pois os teus deuses, ó Judá,

são tantos como as tuas cidades.

29Porque quereis entrar em contenda contra mim?

Todos vós me fostes infiéis – oráculo do Senhor.

30Em vão castiguei os vossos filhos.

Não prestaram atenção à reprimenda.

A vossa própria espada dizimou os vossos profetas,

qual leão devastador.

31Assim é a vossa geração!

Considerai a palavra do Senhor :

«Acaso tenho sido Eu um deserto para Israel,

ou terra de trevas?»

Por que razão diz o meu povo:

«Fugimos, não mais voltaremos para ti?»

32Acaso esquece a jovem as suas jóias,

e a noiva a sua cinta?

Mas o meu povo esqueceu-se de mim,

durante dias sem fim.

33Com que habilidade preparas o teu caminho

à procura do amor!

De facto, também com maldades

aprendeste os teus caminhos.

34Até na orla das tuas vestes

se encontrou sangue de pobres e inocentes,

que, entretanto, não tinhas surpreendido em falta.

Tal atitude tornar-se-á para ti em maldição.

35E ainda dizes: «Estou inocente;

a sua cólera não me atingirá.»

Pois bem, Eu te julgarei,

por teres dito:«Não pequei!»

36Com que ligeireza mudas o teu procedimento!

Envergonhar-te-ás por causa do Egito,

tal como foste envergonhada

por causa da Assíria.

37Também daí sairás

com as tuas mãos sobre a cabeça,

já que o Senhor rejeita aqueles em quem confias

e neles não terás êxito.