1*O teu espírito incorruptível está em todas as coisas! 2*Por isso, pouco a pouco corriges os que caem, os repreendes e lhes recordas o seu pecado, para que se afastem do mal e creiam em ti, Senhor. Moderação do castigo divino para com os cananeus ( Nm 33,51-56 ; Dt 20,16-18 ; Sl 78,39 ; 103,14 ) — 3*Os antigos habitantes da tua terra santa, 4*Tu os odiaste por causa das obras detestáveis: práticas de magia e ritos sacrílegos, 5*cruéis mortes de crianças e banquetes de carne e sangue humanos; a esses iniciados em sangrentas orgias, 6*a esses pais assassinos de vidas indefesas decidiste exterminá-los por meio dos nossos antepassados, 7*para que esta terra, a mais querida de todas para ti, recebesse uma digna colónia de filhos de Deus. 8*Mas também para com aqueles, porque não deixavam de ser homens, foste clemente, mandando-lhes vespas, como precursoras do teu exército, para os exterminarem pouco a pouco. 9*De facto, Tu podias ter entregue os ímpios às mãos dos justos numa batalha, ou destruí-los de uma só vez por meio de animais ferozes ou com uma palavra penetrante; 10*mas exercendo a tua justiça progressivamente, lhes davas tempo para se arrependerem, não ignorando embora que eram de má estirpe e a sua maldade, congénita, e que jamais mudaria a sua mentalidade. 11*Pois era uma raça maldita desde a origem. E, sem medo de quem quer que fosse, deixaste impunes os seus pecados. 12*Quem ousará, pois, dizer: «Que fizeste?» Ou quem se oporá à tua decisão? Quem te repreenderá por teres destruído as nações que Tu próprio criaste? Ou quem se levantará contra ti a fim de defender homens injustos? 13*Não há fora de ti um Deus que cuide de tudo, a quem tenhas de mostrar que os teus juízos não são injustos. 14*Não há rei nem soberano que possa desafiar-te para defender os que castigaste. 15*Porque Tu és justo, governas tudo com justiça, e julgas impróprio do teu poder condenar a quem não merece castigo. 16*Pois o teu poder é o princípio da justiça e o teu domínio sobre tudo te torna indulgente para com todos. 17*Demonstras a tua força a quem não crê no teu poder e confundes a ousadia de quem a reconhece. 18*Mas Tu, que dominas a tua força, julgas com bondade e nos governas com grande indulgência, pois podes usar o teu poder quando quiseres. Lição de Deus aos israelitas — 19*Ao atuar assim, Tu ensinaste o teu povo que o justo deve ser amigo dos homens, e deste a teus filhos uma boa esperança, porque, após o pecado, dás a conversão. 20*Se aos inimigos de teus filhos, dignos de morte, os castigaste com tanta benignidade e indulgência, dando-lhes tempo e lugar para se afastarem do mal, 21*com quanto mais cuidado não julgaste os teus filhos, a cujos antepassados fizeste juramentos e alianças com boas promessas? 22*Assim, para nos educar, castigas com moderação os nossos inimigos para que, quando julgarmos, pensemos na tua bondade e, ao sermos julgados, esperemos misericórdia. Castigo progressivo dos egípcios — 23*Por isso, também àqueles que loucamente viveram no mal, os fizeste sofrer pelas suas próprias abominações, 24*pois se extraviaram demasiado nos caminhos do erro, tomando por deuses os mais vis e repugnantes animais, deixando-se enganar como crianças sem raciocínio. 25*Por isso, como a meninos sem razão, lhes deste um castigo que os pôs a ridículo. 26*Mas os que com semelhante correção não se emendaram, sofrerão um castigo digno de Deus. 27*Irritados pelo sofrimento causado por esses animais, e vendo-se castigados por aqueles que tomavam por deuses, reconheceram como Deus verdadeiro aquele que outrora recusavam conhecer. Por isso, caiu sobre eles a condenação final.