5.° Contraste: Trevas para os egípcios e coluna de fogo para Israel ( Ex 10,21-23 ; 13,21-22 ) — 1*Grandes e impenetráveis são os teus juízos. Por isso, as almas ignorantes se extraviam. 2*Os ímpios, pensando que podiam oprimir o teu povo santo, ficaram prisioneiros das trevas e encarcerados numa longa noite, encerrados sob os seus tetos e excluídos da eterna providência. 3*Pensavam ficar ocultos com os seus pecados secretos, sob o sombrio véu do esquecimento, mas foram dispersos, possuídos de terrível espanto, e apavorados por fantasmas. 4*Nem o esconderijo em que se refugiavam os preservava do medo; ruídos aterradores ressoavam à sua volta e lúgubres espetros de pálidos rostos lhes apareciam. 5*Nenhuma chama tinha força bastante para os alumiar, nem os fulgores cintilantes dos astros conseguiam iluminar aquela horrorosa noite. 6*Somente brilhava para eles um clarão aceso por si mesmo e que os apavorava; mas, logo que desaparecia a visão, ficavam aterrados e consideravam ainda pior o que viam. 7*Os artifícios da magia mostravam a sua impotência, e a sua pretensão de inteligência conhecia um fracasso humilhante, 8*pois os que prometiam afugentar os medos e as perturbações da alma doente, esses mesmos eram vítimas de um pânico ridículo. 9*Mesmo que nada de mais grave os perturbasse, a passagem de animais e os sibilos das serpentes os sobressaltavam e morriam de medo, recusando-se até a olhar à sua volta, o que não se pode evitar. 10*Com efeito, a maldade é cobarde e por seu próprio testemunho se condena; pressionada pela consciência, sempre imagina o pior, 11*porque o medo não é outra coisa senão a renúncia aos auxílios da razão. 12*Quanto menor é a segurança interior tanto mais se sente a ignorância da causa do tormento. 13*Eles, porém, durante aquela noite verdadeiramente insuportável, saída das profundezas do impotente Abismo, dormiam o mesmo sono: 14*eram perturbados por espetros monstruosos, pelo abatimento da alma, pois um súbito e inesperado terror os invadira. 15*E também todo aquele, fosse quem fosse, que lá estivesse caía, ficava preso e encarcerado e numa prisão sem trancas. 16*De facto, se o agricultor ou o pastor, ou o trabalhador do campo fosse surpreendido pelo flagelo, deveria suportar a necessidade inelutável, pois todos estavam acorrentados à mesma cadeia de trevas. 17*O vento que assobiava, o canto melodioso dos pássaros na ramagem frondosa, o murmúrio das águas correndo impetuosas ou o estrondo das rochas que se desprendiam, 18*a carreira invisível de animais saltitantes, o forte rugido dos animais mais selvagens ou o eco que se repercutia nos vales das montanhas, tudo os fazia estarrecer de pavor. 19*Pois o mundo inteiro estava iluminado por uma luz esplendorosa e cada um prosseguia, sem obstáculos, os seus trabalhos. 20*Somente sobre eles se tinha estendido uma densa noite, imagem das trevas que os esperavam. Mas, para si mesmos, eles eram mais insuportáveis do que as trevas.