Antigo Testamento

Pentateuco Livros Históricos Livros Sapienciais Livros Proféticos

Novo Testamento

Evangelhos e Atos Cartas de São Paulo Carta aos Hebreus Cartas Católicas Apocalipse Sobre a Bíblia
17
5.° Contraste: Trevas para os egípcios e coluna de fogo para Israel ( Ex 10,21-23 ; 13,21-22 ) —

1​Grandes e impenetráveis são os teus juízos.

Por isso, as almas ignorantes se extraviam.

2*​Os ímpios, pensando que podiam oprimir o teu povo santo,

ficaram prisioneiros das trevas e encarcerados numa longa noite,

encerrados sob os seus tetos e

excluídos da eterna providência.

3​Pensavam ficar ocultos com os seus pecados secretos,

sob o sombrio véu do esquecimento,

mas foram dispersos, possuídos de terrível espanto,

e apavorados por fantasmas.

4​Nem o esconderijo em que se refugiavam os preservava do medo;

ruídos aterradores ressoavam à sua volta

e lúgubres espetros de pálidos rostos lhes apareciam.

5​Nenhuma chama tinha força bastante para os alumiar,

nem os fulgores cintilantes dos astros

conseguiam iluminar aquela horrorosa noite.

6​Somente brilhava para eles

um clarão aceso por si mesmo e que os apavorava;

mas, logo que desaparecia a visão, ficavam aterrados

e consideravam ainda pior o que viam.

7​Os artifícios da magia mostravam a sua impotência,

e a sua pretensão de inteligência conhecia um fracasso humilhante,

8​pois os que prometiam afugentar os medos

e as perturbações da alma doente,

esses mesmos eram vítimas de um pânico ridículo.

9​Mesmo que nada de mais grave os perturbasse,

a passagem de animais e os sibilos das serpentes os sobressaltavam

e morriam de medo,

recusando-se até a olhar à sua volta, o que não se pode evitar.

10*​Com efeito, a maldade é cobarde e por seu próprio testemunho se condena;

pressionada pela consciência, sempre imagina o pior,

11​porque o medo não é outra coisa

senão a renúncia aos auxílios da razão.

12​Quanto menor é a segurança interior

tanto mais se sente a ignorância da causa do tormento.

13​Eles, porém, durante aquela noite verdadeiramente insuportável,

saída das profundezas do impotente Abismo,

dormiam o mesmo sono:

14​eram perturbados por espetros monstruosos,

pelo abatimento da alma,

pois um súbito e inesperado terror os invadira.

15​E também todo aquele, fosse quem fosse, que lá estivesse caía,

ficava preso e encarcerado e numa prisão sem trancas.

16​De facto, se o agricultor ou o pastor,

ou o trabalhador do campo

fosse surpreendido pelo flagelo,

deveria suportar a necessidade inelutável,

pois todos estavam acorrentados à mesma cadeia de trevas.

17​O vento que assobiava,

o canto melodioso dos pássaros na ramagem frondosa,

o murmúrio das águas correndo impetuosas

ou o estrondo das rochas que se desprendiam,

18​a carreira invisível de animais saltitantes,

o forte rugido dos animais mais selvagens

ou o eco que se repercutia nos vales das montanhas,

tudo os fazia estarrecer de pavor.

19​Pois o mundo inteiro estava iluminado por uma luz esplendorosa

e cada um prosseguia, sem obstáculos, os seus trabalhos.

20​Somente sobre eles se tinha estendido uma densa noite,

imagem das trevas que os esperavam.

Mas, para si mesmos, eles eram mais insuportáveis do que as trevas.