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18

1​Para os teus santos, pelo contrário, havia uma luz brilhantíssima.

Os outros, que ouviam a sua voz mas não viam a sua figura,

felicitavam-nos por não terem sofrido como eles,

2*​agradeciam-lhes por não se terem vingado dos maus tratos recebidos

e pediam-lhes perdão pela sua hostilidade.

3​Ora, em lugar de trevas, deste aos teus uma coluna de fogo

para os guiar por um caminho desconhecido,

como sol inofensivo, na sua gloriosa peregrinação.

4*​Mas os outros bem mereciam ser privados de luz e encerrados em trevas,

por terem mantido presos os teus filhos,

pelos quais se devia comunicar ao mundo a luz incorruptível da tua Lei.

6.° Contraste: Noite de morte para os egípcios e de libertação para os israelitas ( Ex 1,22-2,10 ; 12,29-30 ; 14,26-28 ; Ap 19,11-15 ) —

5*​Àqueles que tinham decidido matar os filhos dos santos,

um dos quais foi exposto e salvo,

para os castigar, Tu lhes tiraste uma multidão de filhos

e os aniquilaste todos juntos na água impetuosa.

6​Aquela noite fora de antemão conhecida por nossos pais,

para que, sabendo em que promessas tinham acreditado,

se sentissem encorajados.

7​Assim, era esperada pelo teu povo

a salvação dos justos e a ruína dos inimigos.

8​Com efeito, o que foi um castigo para os nossos adversários,

tornou-se para nós um título de glória,

pois nos chamavas para ti.

9*​Os piedosos, filhos dos justos, ofereciam sacrifícios secretos

e, de comum acordo, estabeleceram esta lei divina

de que os santos partilhassem

igualmente seus bens e perigos.

E logo entoaram os hinos dos pais.

10*​Em contrapartida, ressoavam

os gritos dissonantes dos inimigos,

e ecoava a voz plangente dos que choravam os seus filhos.

11​A mesma dor feria escravo e senhor,

e tanto sofria o plebeu como o rei.

12​Todos igualmente, com o mesmo género de morte,

tinham inumeráveis mortos;

não havia vivos suficientes para os enterrar,

pois, num instante, perecera o melhor da sua raça.

13*​Então, aqueles que tinham permanecido incrédulos por causa da magia,

ao ver morrer os seus primogénitos,

reconheceram que este povo era filho de Deus.

14​Quando um silêncio profundo envolvia todas as coisas

e a noite ia a meio do seu curso,

15*​então, a tua palavra omnipotente desceu do céu e do trono real

e, como um implacável guerreiro,

lançou-se para o meio da terra condenada à ruína,

trazendo, como espada afiada, o teu irrevogável decreto.

16​Deteve-se e encheu de morte o universo;

de um lado, tocava o céu, do outro, pisava a terra.

17​Logo sonhos e visões terríveis os perturbaram

e os assaltaram temores inesperados.

18​Caídos meio-mortos por toda a parte,

manifestavam a causa da sua morte,

19​pois os sonhos que os agitavam lhes tinham revelado tal causa,

a fim de que não morressem sem saber porque eram castigados.

Intervenção de Aarão ( Nm 17,6-15 ; 1 Cor 10,8 ) —

20*​No entanto, a provação da morte também feriu os justos,

e um flagelo abateu grande número no deserto,

mas a ira não durou muito,

21*​pois um homem irrepreensível se apressou a tomar a defesa deles:

com as armas do seu ministério,

a oração e o incenso expiatório

enfrentou a ira e pôs fim ao flagelo,

mostrando bem que era teu servo.

22​Venceu a revolta, não pela força corporal,

nem pela força das armas,

mas, pela palavra, deteve quem os castigava,

recordando as promessas e as alianças feitas aos patriarcas.

23​Já os mortos se amontoavam uns sobre os outros,

quando ele se interpôs, detendo o assalto

e cortando-lhe o caminho que levava aos vivos.

24*​Na sua longa veste, estava representado o universo inteiro,

em quatro fileiras de pedras preciosas

estavam gravados os nomes gloriosos dos patriarcas,

e a tua majestade, sobre o diadema da sua cabeça.

25​Perante estas coisas, o exterminador recuou assustado;

e a simples demonstração da tua ira fora suficiente.