1*Para os teus santos, pelo contrário, havia uma luz brilhantíssima. Os outros, que ouviam a sua voz mas não viam a sua figura, felicitavam-nos por não terem sofrido como eles, 2*agradeciam-lhes por não se terem vingado dos maus tratos recebidos e pediam-lhes perdão pela sua hostilidade. 3*Ora, em lugar de trevas, deste aos teus uma coluna de fogo para os guiar por um caminho desconhecido, como sol inofensivo, na sua gloriosa peregrinação. 4*Mas os outros bem mereciam ser privados de luz e encerrados em trevas, por terem mantido presos os teus filhos, pelos quais se devia comunicar ao mundo a luz incorruptível da tua Lei. 6.° Contraste: Noite de morte para os egípcios e de libertação para os israelitas ( Ex 1,22-2,10 ; 12,29-30 ; 14,26-28 ; Ap 19,11-15 ) — 5*Àqueles que tinham decidido matar os filhos dos santos, um dos quais foi exposto e salvo, para os castigar, Tu lhes tiraste uma multidão de filhos e os aniquilaste todos juntos na água impetuosa. 6*Aquela noite fora de antemão conhecida por nossos pais, para que, sabendo em que promessas tinham acreditado, se sentissem encorajados. 7*Assim, era esperada pelo teu povo a salvação dos justos e a ruína dos inimigos. 8*Com efeito, o que foi um castigo para os nossos adversários, tornou-se para nós um título de glória, pois nos chamavas para ti. 9*Os piedosos, filhos dos justos, ofereciam sacrifícios secretos e, de comum acordo, estabeleceram esta lei divina de que os santos partilhassem igualmente seus bens e perigos. E logo entoaram os hinos dos pais. 10*Em contrapartida, ressoavam os gritos dissonantes dos inimigos, e ecoava a voz plangente dos que choravam os seus filhos. 11*A mesma dor feria escravo e senhor, e tanto sofria o plebeu como o rei. 12*Todos igualmente, com o mesmo género de morte, tinham inumeráveis mortos; não havia vivos suficientes para os enterrar, pois, num instante, perecera o melhor da sua raça. 13*Então, aqueles que tinham permanecido incrédulos por causa da magia, ao ver morrer os seus primogénitos, reconheceram que este povo era filho de Deus. 14*Quando um silêncio profundo envolvia todas as coisas e a noite ia a meio do seu curso, 15*então, a tua palavra omnipotente desceu do céu e do trono real e, como um implacável guerreiro, lançou-se para o meio da terra condenada à ruína, trazendo, como espada afiada, o teu irrevogável decreto. 16*Deteve-se e encheu de morte o universo; de um lado, tocava o céu, do outro, pisava a terra. 17*Logo sonhos e visões terríveis os perturbaram e os assaltaram temores inesperados. 18*Caídos meio-mortos por toda a parte, manifestavam a causa da sua morte, 19*pois os sonhos que os agitavam lhes tinham revelado tal causa, a fim de que não morressem sem saber porque eram castigados. Intervenção de Aarão ( Nm 17,6-15 ; 1 Cor 10,8 ) — 20*No entanto, a provação da morte também feriu os justos, e um flagelo abateu grande número no deserto, mas a ira não durou muito, 21*pois um homem irrepreensível se apressou a tomar a defesa deles: com as armas do seu ministério, a oração e o incenso expiatório enfrentou a ira e pôs fim ao flagelo, mostrando bem que era teu servo. 22*Venceu a revolta, não pela força corporal, nem pela força das armas, mas, pela palavra, deteve quem os castigava, recordando as promessas e as alianças feitas aos patriarcas. 23*Já os mortos se amontoavam uns sobre os outros, quando ele se interpôs, detendo o assalto e cortando-lhe o caminho que levava aos vivos. 24*Na sua longa veste, estava representado o universo inteiro, em quatro fileiras de pedras preciosas estavam gravados os nomes gloriosos dos patriarcas, e a tua majestade, sobre o diadema da sua cabeça. 25*Perante estas coisas, o exterminador recuou assustado; e a simples demonstração da tua ira fora suficiente.