7.° Contraste: O Mar Vermelho, morte para os egípcios e libertação para os israelitas ( Ex 14,5-22 ; 15 ) — 1*Então sobre os ímpios descarregou até ao fim uma ira implacável, pois Deus sabia de antemão o seu comportamento: 2*sabia que eles os deixariam partir, que os despediriam apressadamente, mas que mudariam de ideias e os perseguiriam. 3*De facto, tendo ainda em suas mãos os objetos do luto e chorando sobre os túmulos dos mortos, eis que concebem outro plano descabido: aos que tinham pedido que saíssem, perseguem agora como se de fugitivos se tratasse. 4*Um merecido destino os arrastou a este extremo e os fez esquecer o passado, para que sofressem o castigo que faltava aos seus tormentos; 5*e, enquanto o teu povo realizava uma travessia prodigiosa, eles encontraram uma morte insólita. 6*É que toda a criação, obediente às tuas ordens, tomava novas formas em sua própria natureza para guardar os teus filhos de todo o mal. 7*Uma nuvem cobriu de sombra o acampamento e do que dantes era água viu-se emergir terra seca, o Mar Vermelho tornou-se um caminho transitável, e as ondas impetuosas, uma planície verdejante; 8*por ali passou todo o povo, protegido pela tua mão, contemplando prodígios admiráveis. 9*Iam como cavalos pastando no prado, e como cordeiros saltitando, e glorificavam-te, Senhor, a ti que os salvavas. 10*Pois se recordavam ainda dos acontecimentos do exílio: como a terra, em vez de animais, produziu mosquitos, e como o rio, em vez de peixes, lançou para fora uma multidão de rãs. 11*Mais tarde, também viram uma nova espécie de aves, quando, movidos pelo apetite, pediram manjares apetitosos, 12*e, para satisfazerem os seus desejos, vieram do lado do mar as codornizes. Os egípcios, mais culpados que os habitantes de Sodoma ( Ex 1,8-14 ; 5,4-18 ) — 13*Os castigos caíram sobre os pecadores, não sem ter havido como sinais raios violentos. Eles sofriam justamente pelas suas próprias maldades, pois tinham mostrado violenta aversão aos estrangeiros. 14*Outros houve que não quiseram acolher os desconhecidos que chegavam. Mas eles escravizaram hóspedes que tinham sido seus benfeitores. 15*Mas não é tudo: para aqueles haverá um castigo, pois receberam os estrangeiros de modo hostil; 16*mas estes, depois de terem recebido com alegria aqueles que já tinham parte nos mesmos direitos, maltrataram-nos com terríveis trabalhos. 17*Por isso, foram feridos de cegueira como aqueles que, às portas do justo, envoltos em densas trevas, procurava cada um a entrada de sua própria casa. Uma nova harmonia — 18*Assim, os elementos mudavam entre si as suas propriedades como na harpa, em que as notas modificam a natureza do ritmo, mas conservam a mesma sonoridade. É isto o que se pode ver claramente, quando se examinam os acontecimentos: 19*os animais terrestres mudavam-se em aquáticos, e os aquáticos passavam para a terra; 20*o fogo redobrava a sua força na água e a água esquecia a sua propriedade de o extinguir; 21*ao contrário, as chamas não consumiam as carnes dos débeis animais, que iam e vinham por entre elas, nem dissolviam aqueles deliciosos manjares, semelhantes ao gelo que facilmente derrete. Doxologia final — 22*Em tudo, Senhor, Tu engrandeceste e glorificaste o teu povo, e não deixaste de o assistir em todo o tempo e lugar.