2.° Contraste: Codornizes para Israel e rãs para os egípcios ( 12,23 .27; Ex 16,9-13 ; Nm 11,10-15.31 -33) p 1*Por isso, foram justamente castigados por animais semelhantes, torturados por pragas de bichos. 2*Em vez de tal castigo, foste bom para o teu povo e, para satisfazer o ardor do seu apetite, preparaste-lhe codornizes, alimento delicioso. 3*Assim, enquanto aqueles tinham fome, mas perdiam o apetite perante o aspeto dos animais enviados ao seu encontro, estes, depois de um breve jejum, saborearam um manjar delicioso. 4*Era preciso, pois, que sobre aqueles opressores caísse uma fome implacável, enquanto, a estes, bastava mostrar-lhes como eram atormentados os seus inimigos. 3.° Contraste: A serpente de bronze e os gafanhotos ( Ex 8,16-20 ; 10,4-15 ; Nm 21,4-9 ) — 5*E mesmo, quando veio sobre eles a terrível fúria das feras, e pereciam pela mordedura das serpentes sinuosas, a tua ira não durou até ao fim. 6*Para sua correção, foram atribulados por pouco tempo, mas tinham um sinal de salvação para lhes recordar os mandamentos da tua Lei. 7*Quem se voltava para ele era curado, não pelo que via, mas por ti, salvador de todos. 8*E assim demonstraste aos nossos inimigos que és Tu quem livra de todo o mal. 9*Eles morreram pelas picadas de gafanhotos e moscas, sem poder encontrar remédio para salvar a vida porque mereciam semelhante castigo. 10*Mas, quanto aos teus filhos, nem sequer os dentes das serpentes venenosas os puderam vencer, porque interveio a tua misericórdia e os salvou. 11*Eram picados e logo ficavam curados, para que se lembrassem das tuas palavras, a fim de não as esquecerem completamente, e serem, assim, excluídos da tua benevolência. 12*E nem erva nem pomada lhes serviu de alívio, mas foi a tua palavra, Senhor, que tudo cura! 13*Tu tens poder sobre a vida e a morte, fazes descer até às portas do Abismo e de lá fazes regressar. 14*É que o homem, pela sua maldade, pode matar; mas não pode fazer regressar o espírito que tinha saído nem pode libertar a alma que desceu ao Abismo. 4.° Contraste: Granizo e fogo para os egípcios e maná para os israelitas ( Ex 9,24-25 ; 16 ; Sl 78,47-49 ) — 15*É impossível escapar à tua mão. 16*Os ímpios que recusavam reconhecer-te foram flagelados pelo poder do teu braço. Caíram sobre eles chuvas estranhas, granizos, tempestades implacáveis, e um fogo que os devorava. 17*O mais surpreendente era que, na água que tudo apaga, o fogo ainda mais ardia; é que o universo combate pelos justos! 18*Umas vezes, a chama abrandava, para não queimar os animais enviados contra os ímpios, a fim de que, ao contemplá-los, reconhecessem que o juízo de Deus os perseguia. 19*Outras vezes, mesmo no seio da água, ela ardia com violência superior à do fogo, para destruir os frutos de uma terra iníqua. 20*Mas, pelo contrário, deste ao teu povo um alimento dos anjos, enviaste-lhe do céu um pão, sem esforço deles, capaz de todos os sabores e adaptado a todos os gostos. 21*Este alimento manifestava a tua doçura para com os teus filhos, já que se acomodava ao gosto de quem o comia e se transformava segundo o desejo de cada um. 22*A neve e o gelo resistiam ao fogo sem se derreterem, para que soubessem que as colheitas dos inimigos tinham sido destruídas por um fogo que ardia no meio do granizo e flamejava sob a chuva; 23*mas o mesmo fogo, em outra ocasião, e para que os justos se alimentassem, esqueceu-se até da sua própria força. 24*É que a própria criação, submissa a ti, seu Criador, se endurece para castigar os maus e cede para fazer o bem aos que confiaram em ti. 25*E assim, prestando-se a tomar todas as formas, se colocava ao serviço da tua bondade, que a todos alimenta, de acordo com o desejo dos que te suplicavam. 26*Assim, os teus filhos queridos, Senhor, aprenderão que não são os frutos que alimentam o homem, mas é a tua palavra que alimenta os que creem em ti. 27*Pois, o que o fogo não destruía, logo se derretia ao calor de um leve raio de Sol, 28*para que todos soubessem que é necessário madrugar mais que o Sol, a fim de te dar graças e de te encontrar desde o raiar do dia. 29*Mas a esperança do ingrato há de derreter-se como a geada no Inverno, há de escoar-se como água que não presta.